Vesículas Extracelulares (EVs) é um termo que descreve estruturas muito pequenas (geralmente medidas em nanômetros), formadas por uma camada dupla composta de lipídeos e proteínas, e repletas de moléculas em seu interior. Elas são produzidas e liberadas por muitos, se não todos, os tipos celulares, além de muitos organismos unicelulares, podendo ser encontradas em bactérias, fungos, humanos e plantas, por exemplo. Isso sugere que esse processo se conservou durante a evolução, portanto, representa um mecanismo importante para a sobrevivência dos organismos.
Agora, pesquisadores da Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas (SEAS) de Harvard John A. Paulson desvendaram os mecanismos potenciais por trás do poder de cura dos EVs e demonstraram sua capacidade de não apenas reviver as células após um ataque cardíaco, mas manter as células funcionando mesmo sem oxigênio. durante um ataque cardíaco. Os pesquisadores demonstraram essa funcionalidade em tecido humano usando um chip heart-on-a-chip com sensores incorporados que monitoravam continuamente as contrações do tecido.
A equipe também demonstrou que esses viajantes intercelulares podem ser derivados de células endoteliais, que revestem a superfície dos vasos sanguíneos e são mais abundantes e fáceis de manter do que as células-tronco.
Inicialmente, a secreção dessas EVs foi descrita para eliminar compostos desnecessários produzidos pelas células, mas hoje sabemos que não são carregadoras de lixo, pois permitem a troca de diversos componentes entre células, mediando comunicações de alta complexidade, agindo na regulação de eventos fisiológicos e de resposta a condições ambientais específicas, estando envolvidas em processos normais ou patológicos.
Após serem liberadas no exterior da célula de origem, as EVs podem alterar o ambiente em que se encontram e alcançar outras células. Para que sejam captadas, devem encaixar na membrana da célula-alvo e ativar os seus receptores de superfície para iniciar o processo de internalização ou fusão, entregando seu conteúdo, podem alterar o ambiente em que se encontram e alcançar outras células. Essa interação com a superfície celular ainda não é completamente entendida, por ser complexa e depender de diversos fatores, porém a entrega dessas moléculas irá desencadear respostas e processos celulares, promovendo alterações que afetarão o organismo de forma positiva ou negativa. Por exemplo, microvesículas geradas e liberadas por células-tronco embrionárias podem interagir com o tecido materno e sinalizar às células que promovem a implantação embrionária, permitindo o desenvolvimento da gravidez.


